Hoje foi um dia normal
Exceto por tudo
Não fui trabalhar, não saí do meu quarto
Mas vi o mundo

Hoje foi um dia típico
Menos pela sua direção
Fui além do Equador, dos trópicos
Conheci Plutão

Hoje foi um dia como qualquer outro
Acordei tarde, mexi no computador, li um livro
Vivi alegre livre leve solto
Almoçei, como sempre, arroz feijão ovo frito

Hoje foi um dia comum
Sái de casa, acertei meus erros
E cometi mais um
Vi homens andando ligeiros

Com pressa, como se amanhã não fosse outro dia normal
Como se hoje fosse a última chance
De no leilão da vida você conseguir dar maior lance
Querem ter tudo, na mesma hora, bom ou mal

Vivem de acordo com a lógica material
Esquecem que por trás há o ser imortal
Que tudo não passa de situação, contexto, reflexo
E que se assim não fosse não haveria nexo

Esperam sempre pela solução
Quando muitas vezes a tem nas mãos
Mas não enxergam, cegos pela própria vontade
De viver no limite, intensidade, velocidade

Esquecem que de momentos é feita a vida
Não só dos bons ou dos ruins
Não só de ganhar a loteria, sorte eterna garantida
Tampouco de sofrimento, miséria e afins

Levantar cedo para ir trabalhar, dormir até tarde para poder descansar. Lavar a roupa, varrer a casa, tomar sorvete, visitar a Nasa. Cotidiano. Sair com os amigos, sair sozinho, não sair. Cozinhar, ler, estudar, escrever; cantar, dançar, ficar parado, sentado, vendo TV. Isso é a vida. Isso é vida. Mas antes de ser vida, é grande qualidade, é simplicidade. E não foi a vida que nos foi dada, não.
Foi a eternidade.

Originalmente em 21/06/10 às 20:09