Já era noite quando toda a cidade
Encontrava-se sob névoa espessa e branca
Que transforma todo medo em verdade
E do coração a esperança arranca

E por toda vil metrópole se via
Herdeiros vítimas do pecado original
Perguntando-se porque tragédia havia
Decaído sobre sua selva natal

E só o que se tinha era horror
Destilado na fumaça das esquinas
Da cidade que uma vez ardor
Agora lar das aves de rapina

E em meio a névoa esfumaçada
Quando tudo já perdido parecia
Entre os vãos de mal feita calçada
Eis que uma rosa-flor nascia

Contaminava o ar com sua fragrância
E pela nuvem de fumaça se espalhava
Aquela simples expressão da esperança
Era tudo que o povo precisava

Aquecidos os corações da cidadela
E dada a crença agora um motivo
Todos dirigiam-se a capela
Rezar para que continuassem vivos

E foi no clima de vila de interior
Que viram suas preces atendidas
O nevoeiro ia-se com o terror
E a cidade se via unida

Gloriosa intacta era amor
E o povo agora era galera
E florescera aquela rosa-flor
A que hoje chamamos Primavera