Só o que eu queria era água
E me deram cachoeiras
Mas não me foi suficiente.
Me tiraram então, com mágoa,
Todas aquelas ribanceiras
E secaram as nascentes…

Só o que eu queria era alimento
E me deram mil possibilidades.
Mas escolhi mal, o sofrimento
Para alimentar também vaidades.
Me tiraram então o meu sustento
E eu a isso chamei de maldade.

Só o que eu queria era luz
E me deram o sol, a lua e os astros.
Mas eu ainda me achava no escuro
E a levar outros pra lá eu me dispus.
Então do firmamento arrancaram os rastros
De todo corpo que já fora símbolo de futuro.

Só o que eu queria era calor
E me ensinaram a criar o fogo.
Então eu o usei para a destruição,
Queimei florestas e países, gerei dor.
E então acabaram com meu jogo:
Incendiaram minha casa e, com ela, o coração…

Até quando vamos agir como filhos ingratos?
Entender que somos nós que pagamos o pato…

Até quando vamos insistir em aprender pela dor?
Será mesmo necessário perder pra dar valor?

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