Já soaram doze vezes grandes sinos,
Aludindo ao grande Imponente
Que não difere os homens de meninos:
Para todos chega ele indiferente.

Impossível é escapar aos seus efeitos
Que chegam feito regra sem exceção.
Transforma o que era belo em defeito
E do perfeito expulsa a perfeição…

Alguns dizem que é grande divino castigo
Para que o homem jamais se envaideça.
Outros dizem que se trata de um inimigo
Com que luta para fazer que o obedeça.

Há ainda os que o dizem natural,
Como sendo uma parte integrante
Da grande engrenagem  global
Que sem ele não iria adiante.

– Foi o homem que o criou ao mensurá-lo!
Dizem uns com arrogância imensurável…
Como fosse capaz de tamanho desentalo
Criatura tão pequena e de caráter questionável!

Sim, pois o Imponente não apresenta más tendências:
Ele apenas executa seu trabalho!
Sem questionamentos nem perguntas sobre a essência
Do Universo, do mundo, do carvalho…

Não possui nem um traço de sentimento
E foi dele arrancado o pensamento
Pois se deixasse se enganar por qualquer lágrima…
Oh, Meu Deus, que desastre, que caos, que lástima!

Pois é ele o responsável pela ordem
E, portanto, não se curvaria jamais
À prepotente vontade de um homem,
Mesmo que repleta de intenções morais.

É por isso que é justo e soberano
E órgão regulador da realidade.
Em seu julgamento nunca há engano,
Pois é profeta de si mesmo e da verdade!