Eu nasci no árido inverno do inferno,
Sem poder distinguir o bem e o mal,
Sem saber que era páscoa ou que era carnaval.

Percebi que eu era vida
E que tudo tem sua razão de ser.
Aprendi história bem comprida
Que jamais eu hei de esquecer.

Descobri então o amor, que sentimento!
Decidi nem usar mais pensamento,
Pois amor era mais que suficiente
Para vida bem vivida, intensamente.

Mas me mostraram o orgulho e as vaidades,
O egoísmo e a sensualidade.
E me vi seduzido por essa má filosofia:
Meu coração desfrutava de traidora alegria!

E esqueci da minha luz, do meu caminho…
Do amor que tanto bem trazia
Encontrei-me no espelho sozinho
Sem saber o que sozinho fazia…

Me lembrei então daquela história
De um homem que uma vez na glória
Optou pelo divino pecado
De destrancar secretos cadeados.

Lembrei ainda do lugar onde nasci
E de como havia chegado até aqui:
Da aridez desértica de um inverno seco,
Nas profundezas de um inferno infantil e pitoresco
Aos excessos e abusos de terrena existência…
E apesar das rápidas paradas no amor,
Não é ele o destino final, a nossa essência.

Pois já diziam os grandes sábios da tevê
Que você pode até sair de onde nasce,
Mas isso jamais sai de você!
E por mais que os homens se enganem,
Que se façam de ricaços e usem ternos,
Todos eles nasceram num inverno.
Um dos mais secos que já se viu no inferno.

Mas eu não gosto dessa lógica insensata
Fundada por criaturas tão erradas.
Quero voltar pra aquela distante parada
E lá permanecer por longa data…
Quem sabe seja lá que me desfaça
Dessa cômica e trágica jornada,
E seja lá que minha alma descanse,
Para sempre na parada, eternizada!

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