Eu morava num planeta distante,
Frio, gelado e sem sabor.
Não via motivo pra seguir adiante,
Já que lá até o céu era incolor.

Infinito vazio desgostoso,
Que atormentava sem dó os desgraçados,
Pobres vítimas de um doloroso
Cenário de ceticismo viciado.

No planeta reinava um clima
De insegurança disfarçada em arrogância
Porque quando o povo olhava pra cima,
Via-se vítima eterna da ignorância.

Porque nada se tinha para admirar,
Um fundo sem cor, sem gosto, à esmo.
E era tão assustador acreditar
Que só o que existia era ele mesmo…

E mesmo sem nenhum motivo aparente,
Sem haver do divino sequer um traço,
Vinha no povo uma fé de repente
Fundada somente no vazio espaço.

Diziam que se o espaço existe
Então, ainda que não haja nada,
A possibilidade de haver resiste
Seguindo muito simples sacada…

Que não existe espaço que não possa ser preenchido
Ou um vazio no qual não haja um buraco
E foi por esse grande absurdo nascido
Que o medo tornava-se opaco.

Aqui podemos admirar os tons da alvorada
E o crepúsculo chegando ao final do entardecer
Mas é realmente impressionante como nada
É capaz de fazer o ser humano crer!