Acaba de soar um grito ecoante de ordem,
Sob um céu azul de turva nitidez poluída,
Feito signo e símbolo da juventude nacional,
Indiferente ao canto dos pássaros espalhados pelo vento.

O estridente som lembra épocas remotas,
Quando costumava ser feliz sem ter razão
E quando o pouco tempo de vida que tinha
Não era nem de longe uma preocupação…

Me lembra quando costumava brigar por qualquer besteira
E de quando me arrependia só porque tomava bronca
Mas não era de fato arrependimento o que sentia
Tampouco era a briga por raiva ou qualquer coisa…

Só o que tinha era inocência de criança
E um riso de malícia no rosto.
De malícia boa, de inocência de criança
Que não sabe o que fazer com ela…

E que a perde dia a dia, pouco a pouco,
A medida que vai crescendo seu pensar
E, de repente, sem se dar conta
O tempo foi ficando para trás…

É realmente uma pena que se perca
A felicidade e o riso sem razão,
Já que adulto já tem a consciência
De que só o que lhe falta é inocência…

Mas ele também tem seu trunfo:
Apesar de não ser mais tão criativo
E não mais ter tantos triunfos,
A sua alegria e seu riso tem motivos:

É ele que conserva nas crianças a inocência,
Por uma simples questão de decência.
E é por meio desse jogo desoculto
Que descobre a inocência em ser adulto.