Hoje foi um dia de recomeço,
O sol nasceu duas vezes.
A segunda chance tem um preço:
Poder testar todos os talvezes…

Deixar pra trás os velhos erros,
Mas só aqueles que não farão falta,
Pois existem erros cujo desterro
Só tornaria a contrição mais alta.

Esses erros podem ser repetidos
Exaustivamente e com vontade,
Pois representam da vida o partido
Do direito a individual liberdade.

Liberdade de errar e aprender,
Liberdade de errar por prazer,
Liberdade de recomeçar do zero
Ou permanecer no errado: ser sincero.

Porque ninguém neste mundo é correto.
Se finge ser é só olhar mais de perto
Para descobrir que nada tem de certo
E muito menos tem algo de concreto.

Se não finge, menos mal.
Se o acha ser, pura pretensão…
Se o deseja, grande utopia…
Se não deseja, desvia-se.

Se, porém, apenas aceita
Então vive bem!
Pois sabe não haver receita
E faz somente o que convém.

Sabe que possui a liberdade,
Tenta só fazer o que é certo,
Mas tem também a consciência
De que nem sempre será possível.

Fica, dessa forma, à vontade.
Vive com o coração liberto.
Age sempre com calma e paciência
E entende que de falhas é passível.

Vê a vida com os olhos de criança
Que se sente culpada ao cometer engano
Mas que tem nos mesmos olhos esperança
E descobre a beleza em ser humano.

E poder recomeçar é sua essência
E errar novamente é conseqüência.

Errar até acertar, testando todos os talvezes…
Porque todo dia o sol nasce várias vezes…