Era uma mulher faceira, com olhos profundos e sorriso de manhã de sol. Bastante delicada e bem humilde, mas com sabedoria capaz de assustar até mesmo os mais cultos e desenvolvidos intelectos. Inteiramente desejável. Sedutora, tinha todos os homens aos seus pés. Mas nada lhes dava de mão fácil. Tinham que merecer. Fazia promessas de amor e juras de paixão eterna a qualquer um que conseguisse lhe agradar e satisfazer completamente. Até hoje não se sabe se alguém conseguiu…
Dizia que quem a tivesse ao seu lado desfrutaria da sorte certa garantida e de uma grande e constante felicidade. Que o sofrimento e a amargura teriam fim e que tudo seria conquista. Apesar disso, alertava:

– Sou efêmera do destino, eterna passageira. Posso oferecer um eterno enquanto dure, pois o para sempre não me é permitido.

Era justo. Ninguém poderia desfrutar de tamanha beleza e sabedoria por muito tempo. Na verdade, muitos se contentariam com apenas um beijo seu. Mas outros, cegos estúpidos iludidos, a desejavam como esposa para a eternidade. Não entendiam que ela só podia ser amante, só isso poderia oferecer. E desejá-la para sempre era erro fatal para desperdiçá-la, perdê-la em vão. Alguns achavam que possuí-la de fato era impossível, era muita pretensão. Outros juravam que a tinham. Muitos nem sabiam o que dela pensar ou que direção seguir para conquistá-la. E a verdadeira deusa Vida ria-se e comprazia-se da confusão que faziam dela. Uma mulher faceira que por trás dos olhos profundos e do sorriso de manhã de sol, escondia em segredo uma simplicidade sem igual e que homem algum poderia jamais entender.

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