A hipocrisia domina o mundo da moda.
Moda versus conteúdo, versus tecnologia,
Que destrói a originalidade que incomoda
Mas que não ameaça a continuidade da hipocrisia.

É esse ciclo vicioso, essa roda
Que uniformiza e massifica a alegria
Da população que então se acomoda
E acredita que o mundo é fantasia.

Aí vem gente falar de alienação,
De manipulação – da população e da informação.
Mas defendem a globalização.

Chama o povo de burro, de inconsciente,
Mas é sempre o mesmo argumento inconsistente
Que duvida e subjuga essa gente,
Gente decente, gente doente.

Doente de um mal que parece incurável,
E que vem da elite que se diz instruída,
Que se põe fora da roda culpável
Mas que mata o povo com sua hipocrisia.

Mata de vergonha, mata de rir.
Porque falar sempre foi muito fácil.
E nesse grande circo que tentam construir,
A disputa é pra saber quem é o maior palhaço.

O povo dito burro que não tem consciência
Ou a elite hipócrita que carece de decência?

E aí eu olho ao redor e o que eu vejo?
Vejo rico roubando, pobre matando,
Pobre morrendo, rico sofrendo,
Mundo acabando.

Só o que eu vejo é essa grande e sem sentido competição
Dos palhaços da moda e da hipocrisia
Que como prêmio só conseguirão destruição.
E essa é a grande ironia.