Eu costumava formar opiniões
Com base logo no primeiro olhar
Mas tem sido tantas as (des)ilusões
Que parei um pouco de julgar.

As surpresas descobertas
São quase sempre negativas,
Entretanto as que são certas
Ficam para sempre; definitivas.

Hoje eu vejo o mundo sem saber
Se eu o vejo ou se ele me engana
E aos poucos eu tento entender
Essa grande dança de cigana.

Aprendi a somente observar
Sem procurar erros banais.
Parei um pouco de julgar
E passei a sorrir muito mais.

Porque a vida não se trata de juízo,
Não é apenas aprovar ou repreender,
Mas pode aproximar-se do paraíso
Se ao invés de julgar, passar a conhecer.

Afinal, tudo se resume a isso.
A esse e pequeno e significativo verbo
Que viaja das alamedas aos cortiços
E justifica quase tudo como certo.

E no fim de tudo acabado,
Ainda que nada possamos entender,
E que tudo já esteja no passado,
Ou se por acaso acabemos por ver
Que nada é certo ou errado
E que tudo é apenas como devia ser…
Pelo menos, no fim das contas,
Nós nos demos o trabalho de conhecer.
Nós nos demos o trabalho de viver.

Julgar como certo, julgar como errado…
Quanto tempo desperdiçado…

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