Preciso parar de analisar as pessoas.
Ou então, analisá-las de modo que eu não chegue
Sempre às mesmas tristes conclusões.

Preciso parar de duvidar de todos que não conheço.
Ou então, passar a duvidar de todos, sem distinção, porque
Ser amigo não é ser inocente.

Preciso parar de querer tudo.
Ou então, correr atrás de tudo que quero,
Sem deixar para daqui a dez  minutos.

Preciso parar de beber.
Ou então, beber todos os dias porque esquecer os problemas
Pra depois lembrá-los é triste demais.

Preciso parar de confiar nas pessoas.
Ou então, me preparar para que as decepções
Se tornem cada vez mais constantes.

Preciso parar de mentir.
Ou então, começar a mentir sempre até que isso
Se torne normal, a ponto de não me sentir culpado.

Preciso começar a ler mais.
Ou então parar de querer tantos livros
Que ficam para sempre nas gavetas e estantes.

Preciso começar a me preocupar.
Ou então, parar de querer me preocupar com algo
Que na verdade não me preocupa em nada.

Preciso começar a viajar mais.
Ou então dar um jeito de nunca mais viajar,
Para que eu nem lembre o quanto isso me faz bem.

Preciso começar a comer menos.
Ou então, fazer com que a comida tenha efeitos
Sobre a minha fome, que parece não ter fim.

Preciso começar a terminar o que começo.
Ou então, parar de começar coisas que sei que não
Vou conseguir, ou querer, terminar.

Preciso começar a trabalhar.
Ou então, fugir de uma vez para algum lugar distante.
E viver de amor, como imaginei alguns anos antes…

Mas teria que ser um amor bacana, despretensioso.
E que se descobrisse a cada dia, se reinventasse
a cada hora e se sentisse a todo instante.
Se não for assim, não vale a pena.

E aí o jeito vai ser trabalhar mesmo…

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