Eu não sei quem eu sou e não tenho certeza se quero descobrir.
O mundo requer força, então finjo ser forte e acho que todos fingem.
Acredito que ninguém o é da maneira como demonstra e que, por dentro,
Todos estão destruídos e devastados, todos tem culpa, todos tem dúvidas.

Ser forte é a única coisa que resta, é a última medida desesperada
Que pode ser tomada quando tudo parece (porque está) fora de nosso controle.
Acho que todos são hipócritas e lutam a todo momento para não o parecerem.
Mas só essa luta já prova que o são.

E tudo é só questão de aparência, mesmo para os que possuem o discurso de
Espontaneidade, de autenticidade. É só mexer no calo que dói. E aí começa
O Eu Projetado, o eu sou assim, mas não sou assado. Tá bom. Você se engana,
O mundo finge que acredita, e a vida segue invariavelmente, para todos.

Não que eu me preocupe muito com quem você seja – nem você sabe disso.
Só não me peça para acreditar em você, porque nem você mesmo acredita totalmente.
Todo mundo já colocou em dúvida a própria identidade, e todo mundo já
Colocou a prova a honestidade de todos que conhecem.

Mas quando a dúvida vem, você se agarra em alguma coisa que te situe no mundo,
Você se agarra aos seus sentimentos, em alguma coisa que te traga segurança.
Pode ser uma pessoa, um time, uma religião, uma banda, um estilo, qualquer coisa.
O importante é você poder falar “Isso sou eu, disso eu gosto, isso eu odeio”.
Com segurança, sem titubear.

E então você acha que sabe tudo sobre você, e quando alguém te perguntar sobre você,
Você vai ter o que responder. Bem conveniente.

Enfim, talvez você nem saiba do que eu estou falando.
Talvez você saiba exatamente do que eu estou falando, muito mais do que eu mesmo.
Mas sei lá, nunca consegui me explicar direito mesmo…