A prece parece desaparecer
Quando a suada quantia passa a ser
Aquele a quem devemos agradecer.

O joelho dobrado doído
Impiedosamente substituído
Pelo fácil soprar de um pedido.

As boas aventuras e graças
De nome trocado: desgraças.
Do vinho restaram as taças…

Valores e virtudes revertidos
Por mesquinhos senhores pervertidos,
Mesquinhos e de caráter invertido.

Tudo sob a máscara do moderno,
Símbolo de um progresso eterno
Que cada mais se assemelha ao inferno.

Fé que cede espaço a razão,
Juventude que corrompe a tradição,
Humanidade em constante mutação. (Será?)

Deus perseguido pela Ciência,
Dita chave para o mistério consicência,
Profetizada promissora competência.

Ciência, nova religião.
Método, nova Inquisição.
Moderno, a nova posição.

Jornal, atual fogueira.
Novela, nova cegueira.
Sequelas por dentro da caveira…

Ruas não são mais seguras,
As trilhas cada vez mais escuras,
Reflexos da legalizada usura.

Moderna Idade Média:
Povo usando rédea
E comprando até enciclopédia.

Mudanças a nível mundial
Percebidas em escala radical
Não passam da ordem do banal…

Avança tecnologia!
Avança economia!
Permanece a hipocrisia. (E a ironia)

Ê, globalizado mundo atual…
Pra quê um progresso tal
Se a mentalidade continua igual?