Uma vez me disseram que quando falamos algo diferente daquilo que pensamos, trata-se de uma mentira. Me senti dos maiores mentirosos do mundo. Não por malícia, não por maldade, mas pelos fatos, pelas circunstâncias do nosso pensar. Diria até que aquele que disser que não mente, das duas, uma: Ou é simplesmente mais um mentiroso ou tem pensamentos extremamente limitados. Digo isso porque eu sinto uma profunda incapacidade de expressar-me da maneira exata aquela que penso. Primeiro pela precariedade de nosso vocabulário (que é um dos mais ricos do mundo) e, depois, pela amplitude infinita de nossos pensamentos. Acho que isso acontece porque o nosso pensar é divino, um dom dado por Deus. Mas o falar é puramente humano. Duas faculdades tão distantes, uma tão perfeita e outra tão incerta…
As palavras são injustas. Além de nunca significarem de fato aquilo que queremos dizer, sendo usadas sempre em sentido aproximativo (sabe aquela sensação de não encontrar a palavra certa?), ainda podem ser tomadas com inúmeros sentidos diferentes. Pena que hoje em dia a linguagem verbal atingiu tal importância em nossas vidas que passamos a pensar com as palavras (talvez um processo necessário. Mas só talvez).
Ah, como seria bom não pensar com palavras, mas com as coisas de fato…
E podermos falar as coisas de fato…
Talvez assim poderíamos viver de fato.
(Outro talvez…)