Fugindo da normalidade
E contra a ordem imposta,
Encaro a realidade
Procurando a resposta

Para uma simples questão:
Quando, onde e por quê
Aconteceu essa inversão?
Continuo sem saber

Falo do uso do absurdo
Que no óbvio se misturou
Não se sabe onde começa um
E onde o outro acabou

Óbvio é esperar o mal
Em qualquer situação
De qualquer pessoa
Amiga ou estranha…

Óbvio é a desconfiança
O mundo todo é suspeito
O pai, a mãe, a criança,
O sócio, o gari, o prefeito…

(Mas quem são os juízes?)

Absurdo é fazer o bem
Sem pedir nada em troca
Sem nem olhar a quem
Pelo simples fato de ajudar

Absurdo é ser feliz com pouco,
Uns amigos de longa estrada,
Umas roupa, uns pão, uns troco
E não precisar de mais nada.

Óbvio é trocar a verdade
Por um verde maço de papel
Absurdo perceber a realidade
Que se estende além do véu

Das vaidades e mentiras óbvias
E absurdas, das quais somos cúmplices
E vítimas ao mesmo tempo.

O que deveria ser óbvio, dizem absurdo.
Os absurdos reais viraram rotina.
Quem entende essa realidade
Tão concreta e relativa?