Sob a escura imensidão do céu noturno
Vejo-me só.
Mas, estranhamente, não me sinto sozinho.
Sinto-me único.

A noite fria tenta me convencer de que
Melhor seria se estivesse aquecido
Entre corações amigos.
Mas, estranhamente, diz o meu coração
Que um perfeito momento de contemplação
Requer absoluta solidão – ainda que uma não-solitária solidão.

A minha estranha mente, estranhamente, estranha a mentirosa lua
Que ilumina a vasta escuridão com uma luz que finge ser sua
Mas que fora roubada da estrela maior.

A madrugada chega enquanto tento entender o infinito celeste
Mas estranhamente percebo que não entendo nem o meu infinito íntimo.
Não entendo como a minha solidão interna, que me torna tão único,
Pode estar tão repleta de companhias tão belas.

Acho que sou um oásis no deserto
Mas não sei se sou real ou se sou miragem.