O não dito é mito, eles dizem.
Mas o dito é apenas rito, contrapõem.

O que verdadeiramente se diz, não precisa ser dito, argumentam.
Mas se é não-dito, como poderá ser sabido?
E quando dito, como saber se não é apenas isso, dito?

Cogito se o dito e o não-dito não são apenas causa de conflito.
Nesse caso, evito.

Porém exercito o lícito mérito do espírito circunscrito e aflito,
Que diz “Solicito conceito constrito a respeito do dito e do não-dito”
E nesse caso, admito.

O não dito é mito, digo eu.
Mas o dito é apenas rito, contrapõem.

Esquisito este atrito feito contradito…

Imperfeito, o não dito é hábito dos incógnitos.
Nesse caso, me limito ao implícito.

Já o dito, quando muito dito, é delito – e despropósito.
Nesse caso, me irrito – às vezes, até vomito.

Recôndito esse sujeito dito!
Se acha inédito, bendito, fortuito, eleito.

Compósito o descrito não-dito!
Se vê como proveito, efeito, sobredito, infinito.

Transmito ao circuito, no entanto, que dito e não-dito são contrafeitos.
Impossibilito seus propósitos ressaltando seus defeitos, e tornando-os desméritos.

Pois que o não dito é apenas mito.
E o dito não passa de rito.

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Aviso:
Explicito meu estreito crédito para tratar do dito e do não dito:
Não tenho um favorito, não necessito de mimito, o debate eu incito.
Não acredito, nem descaredito, tenho mais de dezoito e gabarito.
Não que seja erudito, mas isso dito, o debate eu facilito.
Melhor do que deixar desdito.